As notícias abaixo são referentes a edição nº 8483 do dia 21/1/2009  
 
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Opinião - Artigo
Conhecendo e lidando com os enjôos da quimioterapia
Jornal O Municipio

Câncer é a proliferação desordenada de células anormais do organismo. As células normais do corpo vivem, se dividem e morrem de forma controlada. Já as cancerosas são diferentes, porque não obedecem a esses controles e se dividem sem parar. Além disso, não morrem e continuam a se proliferar e a produzir mais e mais células anormais.
Essa divisão descontrolada é provocada por danos no DNA, o material genético presente em todas as nossas células e que comanda todas as suas atividades, inclusive as ordens para a divisão. Na maior parte das vezes, o próprio DNA detecta e conserta seus erros. Nas células cancerosas, porém, o mecanismo de reparo não funciona. Esses defeitos podem ser herdados e estão na origem dos cânceres hereditários. Na maioria dos casos, o DNA se altera por causa da exposição a fatores ambientais, entre eles, o fumo, sol, alguns vírus e alimentação.
As células cancerosas geralmente formam um tumor. Quando as mesmas se desprendem do tumor, passam a crescer e a invadir tecidos e órgãos sadios vizinhos ou distantes, num processo chamado metástase.
A quimioterapia é uma combinação de medicamentos que caem na corrente sanguínea, destruindo as células que estão formando o tumor e impedindo, também, que se espalhem. Na maioria das vezes é utilizada uma combinação de drogas administradas em ciclos, que se seguem a períodos de recuperação. Entretanto, nesse processo, a quimioterapia pode afetar também as células sadias do organismo.
Um problema significativo da quimioterapia são os efeitos colaterais, que afetam muito a qualidade de vida do paciente. A maioria dos pacientes apresenta enjôo, acompanhados ou não por vômitos, principalmente no dia da aplicação, podendo se prolongar por até dois dias. A causa dessas complicações se deve à agressão sofrida pelo estômago durante o tratamento.
O problema de enjoar e vomitar é a repercussão sobre o estado nutricional, principalmente em um paciente já comprometido pela doença. Podem ser seriamente agravados com sintomas de cansaço, fraqueza e o aumento da chance de infecções, com conseqüências potencialmente fatais.
Muitos remédios têm sido desenvolvidos para combater esses efeitos colaterais. No entanto, as preocupações com os efeitos colaterais associados com os tradicionais remédios contra o enjôo e o custo elevado das mais novas drogas têm aumentado o interesse no uso de técnicas não-farmacológicas. Bons resultados têm sido obtidos com acupuntura e estimulação elétrica transcutânea (TENS), recurso elétrico usado pelos fisioterapeutas. Aplicado nos pontos de acupuntura tradicionais, sobre o nervo do antebraço, o TENS tem sido usado com sucesso para controlar mal estar pós quimioterapia. Esse ponto, conhecido como ponto de acupuntura P6, é o mais eficiente para prevenção e tratamento de enjôos e vômitos de diversas origens.

Laura Ferreira de Rezende Franco, coordenadora do curso de fisioterapia do UNIFAE, é graduada em Fisioterapia pela PUC Campinas, Especialista em Fisioterapia Aplicada à Saúde da Mulher, Mestre e Doutora em Tocoginecologia pela Unicamp.