A identidade cultural de uma população se faz, também, através da preservação do Patrimônio Histórico. Este patrimônio deve ser visto como um grande acervo, que é o registro de acontecimentos e fases da história de uma cidade.
Porém, infelizmente muitas pessoas não têm esta consciência e acabam tentando destruir a memória de toda uma cidade.
São João teve e tem exemplos desta falta de consciência. Recentemente, foi necessária a mobilização da sociedade e de entidades organizadas para evitar a exploração de granito na Fazenda Cachoeira. Quase que empresários de fora conseguiram a autorização para iniciar a destruição da mata existente no local. Neste caso foi claro a falta de apoio do poder público em tentar evitar tal ato.
Outro caso é em relação a Pensão São José, que abordamos em matéria recente. Aquele imóvel da Pensão tem um valor histórico muito importante em razão das pessoas que ali moraram. Talvez ela foi feita na época da fundação de São João, pois o monsenhor João Ramalho, que loteou o centro da cidade, dava as esquinas para pessoas importantes construírem suas casas. A Pensão é feita de pau-a-pique e deve ser a casa mais antiga da cidade. Recentemente, parte da Pensão São José desmoronou. Foi-se embora um pedaço de um dos mais importantes patrimônios da cidade.
Agora, na última sexta-feira, na "calada da noite", donos do Hotel Central, prédio que está em processo de tombamento pelo CONDEPHAAT, iniciaram obras em uma de suas fachadas, descaracterizando toda a estrutura. Apesar de muitos entenderem a importância histórica daquela construção, muitos não têm esta percepção.
Aos poucos os patrimônios da cidade vão sendo destruídos e as autoridades ficam caladas. Quando ocorreu o caso da Fazenda Cachoeira, que envolveu mídia e a Igreja Católica, muitos políticos aproveitaram para "abraçar a causa". Porém, a defesa do patrimônio público se faz com pessoas honestas e que tenham um relacionamento afetivo com a cidade e não com aventureiros e políticos profissionais.