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Cultura :: 2016-12-07 -08:35:00

Falta de patrocínio pode fazer ‘Jazz Sinfônica’ chegar ao fim


 Maestro Agenor narra preocupação

A tradicional Orquestra de Jazz Sinfônica de São João da Boa Vista pode estar perto do fim.

O motivo é a falta de patrocínio para manter o projeto que completa, em 2017, sete anos de existência e, durante este período, tem levado o nome da cidade para todo Estado de São Paulo e também para o Brasil.

A revelação quanto a essa possibilidade foi feita pelo próprio maestro Agenor Ribeiro Netto. Ele esteve na redação do O MUNICIPIO e comentou sobre esta situação crítica vivida pela Orquestra sanjoanense.

Fundada em 2010, ela é mantida por meio de leis de incentivo à cultura. Durante este período, empresas como Renovias e Bradesco contribuíram desta maneira para que o projeto pudesse ter continuidade, além da companhia elétrica AES Tietê, que foi a primeira apoiadora da Orquestra.

Caso não obtenha mais patrocínios, Agenor afirma que o projeto pode chegar ao fim.

“A gente tem verba apenas para tocar a Orquestra até o mês de fevereiro. Depois disso, caso não consigamos mais apoio, infelizmente, teremos que encerrar as atividades”, dá a triste notícia o maestro Agenor.

Uma das saídas para que o projeto não tenha este trágico fim, assim como ressalta o maestro, seria um “pool” de doações via ProAC (Programa de Ação Cultural).

“Empresas de São João da Boa Vista mesmo poderiam se unir para ajudar, afinal, a Orquestra é da cidade. É uma verba que iria para o governo e que pode ser revertida para o projeto por meio de doações de ICMS”, sugeriu ele.

Ao total, atualmente, 71 músicos compõem a Orquestra. Há pouco tempo, assim como explica Agenor, eram 80.

“O número já teve que ser reduzido pela queda de patrocínios. Diminuímos até mesmo salários para ter uma folha de pagamento menor, mas, mesmo com todos esses esforços, podemos chegar ao fim sem novos investidores”, declara ele.

 

PROJETOS SOCIAIS

Caso o fim da Orquestra seja consumado, outras ações também terão que ser finalizadas. Exemplos disso são as aulas gratuitas ministradas pelos músicos à população sanjoanense.

Estas aulas são feitas em parceria com a Prefeitura de São João, que cede espaço para que elas possam ser realizadas.

“São projetos fantásticos. A cidade está cheia de excelentes músicos. Muitos deles são até mesmo descobertos nessas aulas. É um projeto que dá gosto de ver. Os alunos ganham até mesmo o instrumento para tocar. Se acabar, será uma pena”, lamenta Agenor.

 

MUITAS HISTÓRIAS

Em quase sete anos de Orquestra de Jazz Sinfônica, maestro Agenor relembra de diversas histórias que marcaram-no durante este período.

O primeiro deles foi o surgimento da Orquestra em São João. Assim como conta Agenor, era para que o projeto fosse implantado na cidade de São José do Rio Pardo. Entretanto, por falta de apoio, a Orquestra acabou “desembarcando em solo sanjoanense”.

“Estava tudo pronto para que a Orquestra fosse formada em São José. Mas, por falta de apoio, não conseguia viabilizar o projeto e o prazo ia vencer. Foi então que viemos a São João. Iniciamos uma reunião às 3 horas da tarde com a prefeitura e quando terminou, duas horas depois, saí do encontro com a orquestra viabilizada”, comemorou ele. 

A partir de então foi hora de correr atrás dos músicos e esta procura foi recheada de surpresas. A primeira delas foi o número de interessados. Mais de 100 compareceram para a seleção quando 52 eram procurados dar início à Orquestra.

A segunda foi o tempo mínimo para que a primeira apresentação pudesse ocorrer.

“Inicialmente imaginei que em alguns meses poderíamos marcar o primeiro show. Mas essa previsão foi por água abaixo quando fizemos o primeiro ensaio. Foram necessários apenas 28 dias”, relembra o empolgado maestro Agenor.

Depois desta formação, a Orquestra passou a levar o nome de São João da Boa Vista para todo Estado e, atualmente, é considerada uma das cinco melhores de São Paulo.

Para que este cenário atual pudesse ser alcançado, Agenor lembra com carinho da “primeira grande apresentação fora de São João”.

Foi em Campinas e o maestro achou mesmo é que seria um fiasco. Não pela qualidade da Orquestra, mas sim porque a apresentação teve que ser desmarcada por duas vezes: uma por conta de chuva e outra por manifestações políticas. Ele estava enganado.

 “Nas duas primeiras vezes a Globo fez matérias ao vivo, nos deram bastante espaço. Como por duas vezes não foi possível realizar a apresentação, pensamos que não haveria ninguém. Até porque, não foi tão divulgada como nas outras vezes. Mas a verdade é que o show lotou. Foi um show espetacular”, recordou.

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