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Geral :: 2016-03-24 -16:31:00

Historiadora explica origem e significado da Semana Santa

Cada cerimonial, bem como o que representam, perdeu um pouco do real significado, em função do comércio

Por Daniela Prado


Domingo de Ramos: marca a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e é lembrada pelos cristões. (Foto: Sagrado Coração de Jeses)

Estamos em plena Semana Santa, que termina com o domingo de Páscoa, próximo dia 27. Porém, esta tradição, vivenciada, sobretudo, entre os católicos, tem detalhes e significados mais profundos do que as pessoas possam saber.

Para desvendar o que representam o Domingo de Ramos, a missa do lava-pés, a Sexta Feira Santa e os ovos de chocolate, entre outras questões que circundam a data, a reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com a historiadora pinhalense Valéria Torres.

Valéria é graduada e Mestre em História Social pela Unicamp e Doutoranda em Ciência da Religião pela PUC de São Paulo.

DOMINGO DE RAMOS

O Domingo de Ramos, domingo que antecede a Páscoa, como Valéria informa, é a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. “Essa entrada triunfal significa o cumprimento da profecia do profeta Zacarias, da vinda do Messias que salvaria o povo de Israel da escravidão - e escravidão tem um amplo sentindo, não era somente do domínio romano”, esclarece a historiadora.

Valéria continua a explicar que o Messias - Jesus Cristo - entra em Jerusalém, aclamado pelo povo como o Salvador, narrativa esta que pode ser encontrada no Evangelho de João (João 12,12-13). “Esta entrada abre, para os cristãos, a Semana Santa; nessa narrativa, o povo recebe o Senhor com ramos de palmeiras e  com a aclamação messiânica  ‘Hosana!’, que significa Salva-nos!”, diz a historiadora.

Ela ainda observa que João não narra um rei humilde, mas o Rei Messias, o Rei de Israel, apesar de Jesus confirmar a sua humildade, entrando em Jerusalém montado num jumento.  “Toda essa atitude, bem como as que  a sucedem, principalmente a expulsão dos comerciantes do templo, anunciam o grande propósito da salvação de Jesus -- o fim da morte eterna pelos pecados e a ressurreição para vida eterna”, justifica.

Entretanto, Jesus não foi compreendido pelo povo a quem Ele efetivamente veio salvar e, como Valéria pontua, havia a esperança de um outro Messias; sendo assim, Jesus foi preso, condenado e crucificado, até ressuscitar.

LAVAPÉS

A historiadora esclarece que essa cerimônia aconteceu antes da Santa Ceia e significa basicamente o início do processo de purificação para a comunhão com  Jesus.

“Além disso, ao lavar os pés dos discípulos, Jesus novamente demonstra sua humildade e seu sacrifício de ofertar-se a nós; Pedro, nessa cerimônia, questiona o fato de Jesus estar lavando-lhes os pés, ao que Cristo lhe responde que, naquele momento, Pedro poderia não entender sua atitude, somente depois, e que essa era uma forma dos discípulos terem parte com Ele”, frisa Valéria.

Sendo assim, o lava-pés tem por significado humildade e comunhão.

PAIXÃO

O simbolismo sacrificial é fundamental para o cristianismo. (Foto: Sagrado Coração de Jeses)

“Na verdade, a morte de Jesus só tem significado em função de sua Ressurreição, o que não significa pouco; pensem em alguém crucificado, perdendo todo o seu sangue lentamente, agonizando de dor, com um único objetivo - nos livrar da morte eterna pelo pecado e nos anunciar a Salvação, desde que tenhamos fé”, atenta a historiadora.

Segundo ela, o simbolismo sacrificial é fundamental para o cristianismo e sua ligação com a Páscoa - que originalmente é uma festa judaica - comemorativa da saída do exílio do Egito. “Pessach, Páscoa em hebraico, significa passagem, a travessia do Mar Vermelho, a Libertação da Escravidão”, argumenta ela, lembrando que  não foi por acaso que Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém nas festividades do Pessach.

Ele é o Messias que veio salvar o povo de Israel da escravidão definitiva e, como Valéria enfatiza, essa é a grande questão da Páscoa, a ideia de renovação, renascimento para Vida Nova em Comunhão com Deus.

OVOS DE CHOCOLATE

Valéria aponta que a relação desses símbolos com a Páscoa Cristã está relacionada à própria expansão do cristianismo. “Quando sai do Oriente Médio, ainda sem ser uma religião estruturada, o cristianismo começa a tomar contanto com outros povos e acaba utilizando simbolicamente outras concepções religiosas em seu processo de evangelização”, conta ela.

Valéria lembra que os povos do Mediterrâneo e do leste da Europa tinham por tradição cultuar o início da primavera oferecendo como presente  ovos pintados, os quais representam a vida.

“Esta era uma festa pagã e, com o longo do processo de aculturação, essas práticas foram incorporadas e relacionadas à Ressurreição de Jesus na Páscoa Cristã; mas o que acontece hoje é uma extrema mercantilização dessas práticas”, lamenta a historiadora, percebendo que o ovo de chocolate, hoje, acaba sendo relacionado à Páscoa, que se esvazia lentamente do seu caráter profundamente religioso.

“O mesmo acontece com o Natal - em que Papai Noel parece ser mais importante que o nascimento de Jesus Cristo”, finaliza ela.

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