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Geral :: 2015-12-17 -15:04:00

Melancolia acomete algumas pessoas nas festas de fim de ano

Psicóloga salienta que retrospectivas, projeções e metas não cumpridas afloram e provocam sentimento assim

Por Daniela Prado


Quando as festas de final de ano se aproximam, mesmo com tantos preparativos para reunir a família ou amigos, comprar presente,  entre outras práticas peculiares à data, nem todas as pessoas curtem de verdade.

Algumas reclamam de uma certa melancolia, inexplicável, neste período, alegando que gostariam de dormir antes do Natal e só acordar no Ano Novo.

Para entender por que isso acontece com certas pessoas no final do ano, a reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com Mariana de Oliveira Junqueira Franco, que é psicóloga pós graduada em psicanálise pela Univeristè de Paris VIII e membro associado ao Clin-a, Clínica de Investigação da Ansiedade.

“As festas de final de ano mobilizam os sujeitos; digo sujeitos por levar em conta o inconsciente, já que estou falando a partir da minha leitura psicanalítica. Quando uma dor advém nessa época, não me parece se tratar de melancolia, mas de tristeza ou, talvez, saudosismo”, revela Mariana.

Causas deste Sentimento

Segundo a psicóloga, retrospectivas e projeções, metas não cumpridas e até mesmo aquelas que foram realizadas, deixam uma sensação de vazio. “É um momento em que algo da perda também se presentifica – lembranças da infância, ausência de entes queridos, memórias sensoriais, cheiros, sons, imagens de um tempo passado”, cita ela.

Mariana também pontua que, na medida em que essas experiências são narradas, recontadas, a história vai tomando forma e o afeto a ela associado vai se dissipando. “Trata-se de uma dor que tem um nome, um motivo, é articulada a um sentido”, completa a psicóloga.

Ela também lembra que outro sentimento que pode despontar é a angústia. “É época de encontros familiares, momento em que as tramas psíquicas ganham maiores evidências”, argumenta.

Além disso, a data coincide com as férias e há suspensão das atividades rotineiras que, muitas vezes, tomavam o cotidiano das pessoas. “Apartado daquilo que movimenta seu desejo e em contato com tramas psíquicas, o sujeito se angustia”, esclarece Mariana.

Melancolia e Depressão

A psicóloga destaca que, quando se fala em melancolia ou depressão, estes sentimentos dizem respeito a outra coisa. “Aqui também estão as questões que envolvem a perda, em alguns casos a culpa, mas não é algo que se experimenta somente em determinadas épocas do ano”, pondera.

De acordo com Mariana, na depressão prevalece a dor de existir, que é uma dor estrutural, ou seja, quem está na linguagem, na cultura, na civilização, com ela se depara, mas quando o desejo se retrai é a dor de existir que ganha a cena e aí, aparecem os sintomas da depressão. “No caso da melancolia, se trata de outra estrutura psíquica e, nessa situação, a dor de existir atinge sua forma plena, as possibilidades de construção de sentido ficam inacessíveis e, em alguns casos, a passagem ao ato suicida, por exemplo, acontece”, alerta a psicóloga.

Tratamento

Mariana adverte que, diante das situações de depressão ou melancolia, é indicado tratamento psicológico e, às vezes, o medicamentoso. “Não há uma faixa etária predisposta à tristeza, depressão ou melancolia; a tristeza é um fenômeno humano, já a depressão e a melancolia estão articuladas ao funcionamento de alguns sujeitos e tem tratamento”, revela.

A dica que a psicóloga deixa para tratar tanto da tristeza quanto da melancolia ou depressão é a apropriação da palavra, a construção de uma narrativa que conte sua própria história. “Ou seja, ao ‘malestar’, o ‘bem dizer’, criando então, com a ajuda do inconsciente, saídas singulares para a dor da existência”, finaliza Mariana.

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