Bem vindo
Notice: Undefined index: usuarioNome in /home/omunici/public_html/view/topo.php on line 39

Sair


Esqueci minha senha






Saúde :: 2015-11-28 -13:29:00

Apego exagerado aos objetos pode ser sinal de Transtorno da Acumulação Compulsiva

Por Daniela Prado


Você certamente já deve ter se deparado com alguém do tipo que gosta de guardar objetos da infância, reclama quando alguém mexe neles ou se sente ofendida se um familiar ou conhecido a sugere que o jogue fora, devido a inutilidade que eles têm na sua vida atual.

É um problema bastante comum, principalmente em pessoas mais idosas e é diferente de fazer e manter uma coleção, mesmo sendo adulto.

A psicóloga sanjoanense Marília Dória Trafane, que atende à Clínica Santa Apolônia, explica que o fato de possuirmos algo não é ruim, pois todos temos necessidades de alimentação e abrigo, de cuidar de nossa saúde e educação e,na medida em que somos seres sociais e gregários, precisamos de uma série de objetos utilizados na sociedade em que nos inserimos.

“No caso do celular, por exemplo, este uso passa a ser uma necessidade quase indispensável; mas devemos entender a necessidade dos objetos e do pertencimento social, ao mesmo tempo em que podemos ter a habilidade de nos desligar, de nos desapegar”, pondera Marília.

Sintomas

A psicóloga aponta que as pessoas apegadas podem apresentar diversos sintomas como ansiedade, fobia e depressão. “São pessoas que, ou têm medo de perder ou perderam e não souberam lidar bem com a perda”, justifica.

Marília sugere que se pode praticar o desapego ao se livrar de objetos que não têm mais utilidade, que não têm mais função em nossas vidas. “O acúmulo excessivo de pertences constitui o apego à estes pertences e, ao doarmos ou jogarmos fora uma parte do que temos e não vamos mais utilizar, estamos praticando o desapego”, salienta ela.

Acumuladores compulsivos, segundo a psicóloga, são pessoas que aparentam levar uma vida comum, até que alguém adentre o ambiente em que vivem. “A compra compulsiva do que não precisam, a aquisição ou o recolhimento ilimitado de bens ou objetos deixados no lixo entram na esfera do patológico e não sobra espaço para mais nada na casa, nem para seu dono”, Marília elucida.

Nestes casos, as pessoas compulsivas perdem o controle ao organizar e selecionar objetos adquiridos e, para elas, a vida só tem sentido se adquirirem coisas e coisas, jamais as descartando. “Por trás do Transtorno de Acumulação Compulsiva pode-se detectar no acumulador ansiedade, medo e frustração”, diz a psicóloga, completando que a doença funciona como uma mórbida autocompensação de algo que aflige o doente.

De acordo com Marília, para o acumulador os objetos substituem as emoções e relações sociais e ele não acredita que seu comportamento é bizarro, doentio, muito menos que ele precisa de ajuda e tratamento.

Tratamento

Para iniciar um tratamento, a psicóloga esclarece que é preciso que o acumulador acredite na morbidade de seu comportamento, além de muita disposição e motivação de familiares para que ele inicie um tratamento. “Se não acompanhado por tratamento psicológico e psiquiátrico, o acumulador pode, em breve, ter recaídas, abandonando os medicamentos, a terapia, podendo recolher tudo de novo e em maiores quantidades”, Marília alerta.

Nesta busca pela cura, é essencial que o acumulador tenha autocrítica, percepção e entendimento de sua doença, fatores relevantes para o sucesso de seu tratamento.

Marília explica que há uma linha tênue que diferencia um colecionador de um acumulador compulsivo. “O fato de colecionar selos não exemplifica uma doença, é um hobby, pois o colecionador tende a organizar os objetos racionalmente, respeita sensatamente o espaço, os valores e as possibilidades práticas de aquisição”, frisa.

Um colecionador, ao contrário do acumulador, tem orgulho de mostrar sua coleção, a qual não ocupa grandes espaços na casa, nem interfere no convívio social saudável de uma pessoa.

O tratamento pode ser realizado através da terapia cognitiva comportamental, que muitas vezes é iniciado por pressão da família, devido ao estado lamentável em que o acumulador vive.  “É de extrema importância a ação positiva da família para o encorajamento e mudança do acumulador e é necessário um longo percurso em terapia para que se alcance a origem do problema, levando o sujeito acumulador a localizar as causas da acumulação compulsiva, a elaborar sua autoestima, enfrentando suas ansiedades, perdas inevitáveis, separações, medos e frustrações”, conclui Marília.

Dependendo do caso, a medicação associada a terapia proporcionará um tratamento mais eficaz.

Durante a terapia cognitiva comportamental é feito um trabalho individual com o paciente, para que ele aprenda a organizar suas posses, decidir o que deve ser descartado e desenvolver habilidades em tomadas de decisões. “Dessa forma, o acumulador encontrará espaço por excelência para clarificar os seus pensamentos e sentimentos, explorando cenários que podem surgir numa determinada situação de acumulação ou de recaídas, tomando as rédeas das suas decisões”, finaliza.

 

Sade