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Mundo :: 2015-11-21 -16:16:00

Brasileiros relatam pânico durante ataques a Paris

Michel Laire e Wulmar de Carvalho já moraram em São João e falam sobre o susto vivido na última sexta

Por Hediene Zara


Sanjoanenses viveram momentos de tensão na última sexta (13) em razão dos ataques do Estado Islâmico a Paris. Famílias que têm parentes e amigos na capital francesa passaram por horas de angústia em busca de um contato com quem estava próximo das ações dos extremistas. O medo tomou conta, principalmente, do optometrista Michel Bernard Claude Laire, que buscava notícias do filho Victor, e também dos familiares do músico Wulmar de Carvalho, acostumado a tocar em locais próximos aos atingidos pela milícia islâmica.

As investidas deixaram ao menos 129 mortos e mais de 200 feridos. A reportagem do O MUNICIPIO conversou com pessoas ligadas a São João que foram surpreendidas pela tragédia.

Shows cancelados: O brasileiro Wulmar, durante apresentação em restaurante parisiense.(Foto: Arquivo Pessoal)

SUSTO NO RESTAURANTE

Figura conhecida da noite parisiense, principalmente em restaurantes e casas noturnas que contratam espetáculos latino-americanos, o músico Wulmar de Carvalho tocava no restaurante Monde du Brésil, que serve comida brasileira na Zona Sul da cidade: “Enquanto eu me apresentava, o telão transmitia o jogo entre França e Alemanha. Demoramos alguns minutos até recebermos notícias sobre os atentados e fomos alertados para que não saíssemos de lá, pois o Estado Islâmico atacava a cidade”, informou.

Logo após, porém, Wulmar preferiu ir de carro para casa, de onde acompanhou a cobertura da imprensa. “O Bataclan eu conheço muito e fazia um carnaval brasileiro lá, com vários artistas. Também costumo me apresentar na Rue du Charonne, em um restaurante brasileiro, o Terrasamba, e também no Chez Céleste, que é um restaurante cabo-verdiano, a 100 metros do Le Petit Cambodge, que foi invadido”. O músico disse ainda que era grande a possibilidade de ele ter combinado shows na região dos ataques, naquela mesma noite. “Eu estou sempre lá o tempo todo. Quando vi a notícia, fiquei impressionado. É a primeira vez que vejo um ataque em que os terroristas saem atirando às cegas, no meio da rua”, contou ele, que lembra de outras ocorrências de terrorismo nos últimos anos, principalmente a invasão de atiradores ao jornal Charlie Hebdo.

Assim que chegou em casa o cantor entrou em contato com seus familiares em São João da Boa Vista, entre eles, a também artista Walgra Maria, conhecida na região. Segundo Wulmar, os espetáculos de sua agenda foram cancelados pelos contratantes, que temem uma nova onda de violência.

Susto: O francês Michel tem um filho em Paris (Foto: Arquivo Pessoal)

EM BUSCA DO FILHO

Em São Paulo, de onde se prepara para retornar a Paris em dezembro, o optometrista Michel Bernard Claude Laire também foi tomado pela apreensão ao não conseguir falar com o filho, Victor, que vive na capital francesa: “Ele é estatístico, trabalha em um banco. Logo que soube dos atentados liguei para ele, mas não consegui falar. Então, entrei em contato com uma amiga de nossa família, que conseguiu localizar o Victor, que me retornou. Ele contou que não havia saído naquela noite, mas foram horas de preocupação até conseguir falar com meu filho”, afirmou.

Para Michel, o ambiente de guerra é evidente: “Não há como negar: é uma guerra. E quando você tem um inimigo você tem que prender o seu inimigo. Se essas pessoas são inimigas da França, elas devem ser presas”, resumiu o francês, que não vai desistir de seus compromissos em Paris em razão dos ataques. “Temos que viver normalmente. Mudar nosso estilo de vida é constatar a vitória dos terroristas”.

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