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Geral :: 2015-11-04 -13:13:00

Arquiteto fala da importância de parceria com a comunidade

Arquitetura pode melhorar a vida das pessoas num bairro, numa cidade, propondo soluções de melhor convivênciaArquiteto

Por Clovis Vieira


O sanjoanense Ricardo Simon Ciaco é arquiteto e urbanista. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela PUCCAMP-SP em 1998. Tem Mestrado em Arquitetura, Urbanismo e Tecnologia pelo IAU-USP São Carlos/SP em 2010.

É autor de diversos projetos arquitetônicos, urbanísticos e de revitalização em diversos setores de atividades nas regiões de São Paulo, Campinas e São João, envolvendo-se pessoalmente na execução destas obras projetadas. Atua como professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniFEOB.

Também é membro do CONDEPHIC (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município de São João da Boa Vista) e suplente do CMU (Conselho Municipal de Urbanismo) aqui na cidade.

Prof. Ricardo Simon Ciaco: "É fundamental que os bairros tenham a sua praça". (Foto: Clovis Vieira)

PERTENCIMENTO

Quando o arquiteto urbanista e professor Ricardo Ciaco fala em Arquitetura, ele sempre se refere ao ser humano. “Quando eu faço um projeto, uma residência por exemplo, eu o faço para uma família, o foco é a família”. E afirma que, embora ainda não tenha trabalhado como urbanista, o que se faz aí é arquitetura para uma comunidade.

Mas teve a oportunidade de desenhar praças. “Eu considero fundamental que os bairros tenham a sua praça. A praça é um dos ambientes mais importantes para as comunidades que vivem nos bairros. Além de arquiteto, eu sou um frequentador de praças”, confessa. E aponta que tem visto praças bem utilizadas (bem frequentadas) e outras nem tanto.

E tenta entender o que faz uma praça ser bem utilizada pela comunidade. “Desconfio que a solução estaria no sentido de ‘pertencimento’ do usuário. Quando uma comunidade se sente ‘dona’ daquele espaço, ela cuida, ela zela, ela o utiliza”. E considera que, quando não há esse ‘pertencimento’, as praças ficam um pouco ‘perdidas’, passado a ser apenas “canteiros com flores e grama, apenas jardins”.

Enquanto professor, ele garante que tem passado aos seus alunos essa preocupação. Preocupação que vai além de praças bem utilizadas, mas sobre os bairros como um todo comunitário. “Como arquitetos, nós temos um grande poder de intervir na vida das pessoas. Meus alunos precisam entender que o ‘poder’ deles é muito grande, ao exercer a profissão de maneira ampla ao projetar uma residência, um bairro...”

Com relação ao patrimônio histórico sanjoanense, que constantemente corre o risco de desaparecer diante da especulação imobiliária, o professor Ricardo diz que “o que nós chamamos de ‘patrimônio histórico’ é vital para qualquer cidade, porque ela conta a história da evolução da comunidade que a construiu. São João tem uma história que, boa parte dela, é contada pelas construções”.

E lamenta que deixar isso se perder é deixar “um pedaço de nossa memória se perder”. O professor se diz contra transformar patrimônio histórico em algo intocado, pois ele deve ser utilizado constantemente. “Acredito que aí está um engano: muitos proprietários pensam: ‘eu tenho um imóvel histórico e preciso me livrar dele, porque não poderei fazer nada com ele’, mas não é assim”.

Ricardo aponta que é o contrário disso. É preciso dar a esse imóvel uma nova utilização, agora contemporânea, para aquilo que, um dia, representou algo diferente. “Se as pessoas e a sociedade evoluem como um todo, não há porque esse imóvel fique lá ‘museificado’”. Mas também considera que uma grande evolução vem acontecendo nos últimos tempos.

PARCERIA

E reputa à participação dos arquitetos na comunidade essa evolução no olhar sobre o patrimônio histórico de uma cidade, com tendências a melhorar cada vez mais esse entendimento e o respeito sobre isso. “Porém, muito já foi perdido aqui mesmo em São João. Embora esta não seja uma característica somente daqui, de nossa cidade”, pondera.

O profissional fala, também, sobre a importância da união entre arquitetos e a comunidade na busca de um equilíbrio no processo de urbanização contemporânea e manutenção do patrimônio histórico: “Essa parceria é vital. O arquiteto tem o conhecimento técnico, mas ele não tem esse poder de mudança. Quem o tem, realmente, é a população, é a sociedade como um todo”

Ricardo esclarece que cabe ao arquiteto direcionar, orientar, mas não será ele quem executará o processo, nem fará isso sair do plano para virar realidade. “Se essa parceria não existir, o arquiteto não exercerá o seu papel e a sociedade perderá muito”, finaliza.

Assista a entrevista completa que o arquito nos concedeu:

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