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Artigos :: 2017-01-25 -09:00:00

O espírito da ciência


Para o filósofo da ciência Mario Bunge, as pessoas estão dispostas a perder qualquer coisa menos a razão. Para Aristóteles, razão é a característica que nos faz humanos. Doenças mentais assustam e intrigam. Por esse motivo, curandeiros e alienistas sempre gozaram de prestígio, embora raras vezes fossem eficazes. Em fins do século XIX, Charcot ficou famoso por tratar o que chamou de ‘histeria feminina’ fazendo pressão sobre os ovários. Se o paciente fosse homem, pressionava-se os testículos. Suas aulas eram frequentadas pela nata da neurologia europeia. Entre seus discípulos encontrava-se Freud e ninguém duvidava dos seus diagnósticos. A ineficácia dos tratamentos de doenças mentais era proverbial, pelo menos até meados do século XX, quando os psicofármacos foram descobertos, trazendo alívio para o sofrimento de uma multidão de esquizofrênicos, depressivos e obssessivos. O conhecido romance O Alienista de Machado de Assis traz uma visão do cenário antes disso. Mas, uma abordagem científica da questão nos é dada no belo livro A History of Psychiatry escrito pelo professor de História da Medicina da Universidade de Toronto Edward Shorter. Sabemos que as culturas primitivas explicavam a loucura como obra de espíritos malígnos que se apoderavam das pessoas. Então, o remédio era chamar um bruxo, ou sacerdote que pudesse exorcizar os espíritos malignos e invocar os benignos. Essa crença é associada a algumas religiões até hoje. Porém, nem mesmo Hipócrates, o pai da medicina, acreditava em espíritos. Era ciente de que processos mentais são processos cerebrais. Tal saber, amplamente confirmado pela moderna neurociência não resolve o problema da psiquiatria, mas ajuda a abordá-lo corretamente. Há tempos, a questão da psiquiatria é reparar os mecanismos cerebrias que se decompuseram por algum motivo concreto: químico, celular ou ambiental. Primeiro compreende-se o corpo, depois o trata. Este é o conceito da psiquiatria biológica, ao contrário das crenças e abordagens místicas.