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Artigos :: 2017-01-09 -13:34:00

A charada da demanda industrial sanjoanense


 

Encontrar uma vocação econômica e nela se apostar para o futuro de longe é a grande charada para qualquer política de desenvolvimento produtivo. Quem acompanha o noticiário econômico ou gerencia uma empresa sabe que não há fórmula pronta para gestão econômica, principalmente quando se quer grandes saltos: mas também sabe-se que mesmo tratando-se de um mundo instável, planejamento é imprescindível, como motor e como âncora. Pois bem, há muito se discute (inclusive neste espaço) sobre qual seria a vocação econômica de São João da Boa Vista, e os mais variados diagnósticos para planejarmos um futuro mais competitivo substituem-se ano após ano. Se buscarmos no mais óbvio, os dados, tudo aparece com maior clareza.

Segundo os dados do IBGE de 2014, tivemos uma evolução constante do PIB entre 2002 a 2014, saltando de R$ 752.637.000,00 para 2.610.606.000,00, e atualmente temos 3,04% do PIB vindo da agropecuária, 22,54% da indústria, 61,28% do setor de serviços e 13,14% do setor público. Resta saber se neste “setor de serviços” predominam atividades que realmente agregam valor à produção industrial ou agrícola? Na medida em que inclui ensino superior, podemos dizer que há sintonia entre os cursos dados e principais setores? Para que haja esta sintonia e, deste modo, capacidade de conectar-se ao distrito industrial e ao campo, é preciso ter clareza sobre que setores realmente são fortes e vem crescendo e ganhando competitividade, e os dados da Fundação Seade sobre o Valor Adicionado Fiscal da Indústria em São João da Boa Vista apresentados na tabela que foi posta como imagem deste texto.                        

Disparado, temos a Indústria Alimentícia em primeiro lugar, representando um valor próximo da metade do nosso PIB industrial, quase triplicou durante o período. Mesmo em oitavo lugar, outro setor que triplicou foi o de produção de Móveis, incluindo desde produtores em série até marcenarias de móveis planejados. Com menor mas também expressiva evolução tivemos os setores de Produtos de Metal, Máquinas e Equipamentos, Montadoras e Autopeças, e o surgimento da indústria da Reciclagem, constando já no levantamento de 2012. Mesmo estável ou apresentando queda, a extração de Minerais Não Metálicos, produção de Materiais Elétricos, Têxtil e Plástico se mostram fundamentais na economia sanjoanense.

Em todo caso, a produção de alimentos ter tamanha predominância e mal ser mencionada nos diagnósticos passados pode ter levado à dificuldade em estabelecermos um projeto integrado de desenvolvimento. Como já foi publicado aqui, nossa produção agrícola é a de maior valor agregado do Estado de São Paulo, mas representa menos de 4% Do PIB; constatar o força de nossa indústria alimentícia pode ser o eixo de recuperação da importância do campo como produtor de matéria-prima para ser transformada localmente. Pode também aperfeiçoar o foco de nossa atividade acadêmica também para este eixo agro-alimentício.

Os dados aqui apresentados poderiam originar páginas e mais páginas de debate, mas certamente podem indicar para caminhos ainda inexplorados nos debates e nas propostas de integração Universidade-Empresa. Um projeto de desenvolvimento precisa estar em sintonia com os principais setores da economia e com a representatividade real de cada setor produtivo, e a atividade em Ciência & Tecnologia precisa acompanhar a produção industrial, caso contrário fica totalmente deslocada das necessidades regionais. Esta adequação precisa ser uma nova pauta!