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Artigos :: 2016-10-06 -16:14:00

Feiras científicas: amarando os fios da teia


   

Em um prazo de menos de dois meses foram promovidos eventos na Unifae e Unesp sobre os quais falei no último artigo. Na segunda metade do mês de outubro acontecerá o Encontro Sanjoanense de Engenharia e Tecnologia na Unesp, e teremos ainda a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Instituto Federal. Nas duas últimas semanas a Unifeob também empreendeu uma série de iniciativas que atraíram os olhares da população para o ambiente universitário, entre elas o 9o Engrene (Encontro dos Graduandos da Escola de Negócios) que ofereceu desde palestra sobre energia fotovoltaica até patentes e proteção de softwares, a SEMAVET (Semana da Medicina Veterinária), a Feira de Profissões e mais uma série de oficinas preparatórias para atividades de iniciação científica. Nenhum deles é inédito, marcam um período do ano sempre propício para a reflexão sobre o papel das universidades em nossa cidade. Estes tipos de eventos tanto leva um pesquisador a saber sobre o que os outros pesquisadores estão trabalhando, como traz alunos universitários ou de ensino médio para o universo da pesquisa.

Quando temos em um município dois centros universitários locais muito tradicionais como o são Unifeob e Unifae, mais um Instituto Federal e uma Unesp, temos com elas uma multidão de professores/pesquisadores de alto nível que oferecem tanto para nosso meio acadêmico quanto para o setor produtivo local um leque gigantesco de temas de pesquisa e, por tabela, soluções para  o setor produtivo local. Quando um pesquisador sabe o que o outro faz e, principalmente, eles sentam para conversar sobre ciência e tecnologia, incontáveis outros temas aparecem, sendo assim, este tipo de evento multiplica a riqueza de nosso ambiente de inovação, e não apenas o apresenta ao público, mas interconecta todas as pontas necessárias a um ambiente de inovação saudável e funcional de forma trans epistêmica traduzindo as diferentes linguagens científicas tal qual aponta o sociólogo francês Bruno Latour.

Igualmente, este papel de imergir o jovem na pesquisa científica e tecnológica não serve apenas para ajudá-lo a escolher qual área cursará, ou qual faculdade: estimula uma série de dúvidas boas, pois as opções se tornam infinitas. Não estou me referindo às opções de cursos, mas ao leque de possibilidades que cada curso proporciona, por exemplo, não se trata de escolher entre Engenharia da Computação, Automação, Agronômica ou de Telecomunicações, mas a infinidade de alternativas que cada uma oferece. Importante visualizar a potencialidade que se daria ao universo de pesquisa científica se tivéssemos várias engenharias trabalhando juntas, com estudantes vinculados a grupos de pesquisa de mais de um campus, bem como das demais áreas.

Temos este período extremamente frutífero há alguns anos, e com o calor do debate sobre o Polo de Tecnologia espero que os vários fios soltos de nossa teia de inovação comecem a ser amarrados (ou, pelo menos, serem percebidos como parte fundamental). Mais que isso, é preciso que se promova uma interação universitária para otimizarmos os resultados destes eventos. É sabido que estes eventos ocorrem em larga medida para a divulgação institucional, porém, podem sim ampliar a finalidade destes e construir oportunidades de integração direta ou indireta; mesmo que não seja por cooperação mas competição, afinal, adversários também interagem, elaboram e obedecem regras comuns.