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Artigos :: 2016-03-10 -14:34:00

Cartão de Crédito e Cheque Especial: Vilões ou Aliados?


Você costuma gastar mais do que recebe ou possui alguma conta atrasada há mais de 90 dias?

Se a resposta foi sim, você faz parte de uma estatística onde mais de 56,4 milhões de brasileiros passam pela mesma situação, ou seja, estão inadimplentes com suas contas.

Essa informação foi levantada em um estudo realizado pelo Serasa Experian onde apontou ainda que 73% dos entrevistados afirmaram ter a situação financeira piorada em 2015.

Uma pergunta é inevitável quando o assunto é inadimplência: será que somente as pessoas que ganham pouco é que estão nessa situação ou o problema é cultural e atinge qualquer classe social?

Nem é preciso ser especialista para obter a resposta, basta dar uma olhada ao redor e identificar pessoas que ganham muito bem, que possuem ótimos empregos e, mesmo assim, vivem gastando mais do que recebem.

É só reparar em uma pessoa que consegue uma promoção no emprego, agora que ela subiu de cargo e recebe um salário maior, precisa ter um status social maior também, então é preciso trocar o carro, mudar suas roupas, frequentar outros lugares etc.

Para “bancar” seu novo status social, muitas vezes essas pessoas acabam gastando mais do que o valor obtido com o aumento salarial, ou seja, pode sobrar menos dinheiro agora do que antes do aumento.

Assim como acontece em várias outras situações no Brasil, é óbvio que o problema é cultural, a educação financeira ainda é muito pouco trabalhada no seio familiar, filhos não sabem controlar seus gastos porque aprenderam de forma errada com seus pais.

Dois grandes exemplos que podemos citar se referem ao cartão de crédito e ao cheque especial, criados para serem um benefício para as pessoas, mas que acabam sendo utilizados de forma equivocada e viram os grandes vilões do orçamento familiar.

O cartão de crédito surgiu nos Estados Unidos, na década de 20, como forma de reconhecimento aos melhores clientes, os quais passavam a ter um tempo maior para pagar suas compras.

No Brasil, o cartão de crédito é utilizado desde 1954, a pioneira foi a franquia Diners, mas era apenas um cartão de compras, somente em 1968 ele foi lançado como cartão de crédito pelo Credicard.

Portanto, desde o seu surgimento, sempre teve como objetivo ser um benefício para um seleto grupo de pessoas, geralmente, as que eram boas pagadoras.

Ora, se uma pessoa, ao invés de pagar os seus gastos em um mês, utilizar o cartão de crédito e aplicar o dinheiro que iria gastar, por exemplo, em uma caderneta de poupança, e no mês seguinte, retirar o dinheiro aplicado e quitar o valor do cartão, poderá ficar com o rendimento do investimento como forma de benefício por ter utilizado o cartão de crédito.

Mas será que o brasileiro utiliza o cartão de crédito dessa forma?

A grande maioria, não, prefere pagar o valor do mínimo da fatura, o que apenas representa o valor dos juros cobrados, que no ano de 2015 chegaram a 431,4% ao ano, isto é, das modalidades de empréstimo, é a mais cara, aquela que deve ser evitada ao máximo.

Muitas pessoas, ao invés de ganhar dinheiro com o cartão, o transformam no maior consumidor de recursos em seu orçamento.

Além da opção de aplicar o dinheiro a ser gasto para ficar com o rendimento, algumas modalidades de cartão ainda recompensam seus clientes transformando os valores gastos em milhas para viagens, sorteio de brindes, devolução de um percentual em dinheiro em relação ao valor das compras, enfim, as empresas oferecem uma variedade de opções para beneficiar seus clientes, mas muita gente prefere pagar esse absurdo de juros.

Com um pouco de planejamento financeiro, é possível viabilizar uma viagem, ter um rendimento extra mensal, obter descontos em outras opções oferecidas pelos bancos, enfim, é possível ganhar dinheiro com a utilização do cartão de crédito.

E o que falar do cheque especial, como o próprio nome diz, é “especial”, devendo ser utilizado em situações consideradas como uma exceção, uma eventualidade, mas que por questão cultural, também acaba sendo utilizado de forma errada pelas pessoas.

Muita gente não sabe ver extrato bancário, olham o saldo do montante em conta, mas consideram aquele valor disponibilizado pelo banco como limite de crédito, geralmente localizado abaixo do saldo bancário, como um acréscimo de valor em sua conta que está disponível para ser utilizado.

O valor dessa modalidade de empréstimo é muito mais cara em relação às demais, apenas para se ter uma ideia, os juros do cheque especial fecharam 2015 em 287,0% ao ano, enquanto os empréstimos consignados, aqueles descontados em folha, ficaram em 28,8% ao ano.

Se uma pessoa precisar de um empréstimo, é lógico que uma excelente opção seria o consignado, mas novamente, muitos brasileiros acabam utilizando o cheque especial não para cobrirem uma eventual despesa não prevista para aquele momento, mas como forma contínua de empréstimo tomado constantemente.

Essa situação pode se transformar em uma “bola de neve”, pois mês após mês o valor dos juros que ainda não foi pago acaba acumulando e comprometendo cada vez mais o orçamento, até o ponto em que o valor do salário recebido no início do mês mal é suficiente para cobrir o valor do cheque especial a vencer para aquele mês.

O endividamento desenfreado pode levar uma pessoa ao desespero, muitas doenças como a síndrome do pânico, depressão e outras provocadas pela crise de ansiedade podem ser originadas em razão da pessoa ficar o dia todo preocupada em como liquidar suas dívidas e não comprometer os seus bens.

O cartão de crédito e o cheque especial são apenas alguns exemplos de como a educação financeira é importante para a felicidade de uma família, se estudou na escola que estudou, se brincou com os brinquedos que brincou, se viajou para os lugares em que viajou, tudo é resultado das decisões financeiras de seus pais, consequentemente, as suas decisões financeiras serão responsáveis não só pela sua qualidade de vida, mas principalmente, pela qualidade de vida de seus filhos e netos.